Viver em comunidade é um convite para plantar a desejável paciência.

paciência

A vida em comunidade ajuda a cultivar diferentes competências essenciais para a construção de uma Nova Era. Sem dúvida, se desejamos um futuro mais positivo e coletivo, precisamos desenvolver algumas virtudes essenciais para a construção de uma vida com mais união, cooperação e conexão. A paciência é uma delas.

Quando você vive em uma comunidade em conexão com toda a natureza, você experimenta conviver e participar ativamente de rituais coletivos, ao mesmo tempo que também se encontra sozinha/o encarando o tédio e o nada. Isso faz com que a pessoa possa preencher o tempo com mais presença e conexão com as pessoas, na mesma medida que também pode experimentar desacelerar e se esvaziar para resgatar o seu próprio tempo. 

Ser um coletivo que faz rituais, partilhas e toma decisões em união nos ajuda a desenvolver a paciência cotidianamente. Isso ocorre porque essas ocasiões nos convidam a desapegar da pressa e da quantificação imediata das ações. 

Como fazer um ritual pelo coletivo estando preocupada/o em quantificar a produtividade de seu gesto? Faz sentido calcular o valor que investimos na sua ação da mesma forma como medimos o preço de nossa hora de trabalho?

Como fazer uma partilha do coração e tomar uma decisão importante quando se tem pressa? É possível escutar de verdade quando estamos ansiosas/os? Dá pra só “passar o olho” numa nova proposta que vai atingir toda a comunidade?

Para conseguir praticar a escuta empática e planejar um futuro comum, precisamos de paciência e calma. Isto significa estar verdadeiramente e essencialmente remando contra a corrente do mundo contemporâneo, que está a todo instante nos bombardeando de micro informações e estímulos e nos incitando a agir em alta velocidade para alcançar resultados imediatos.

Uma comunidade intencional ecológica não busca uma gratificação instantânea e consumível, mas sim planejar e construir um futuro mais consciente e positivo. Não quer indivíduos robóticos, mas um coletivo sensível às necessidades da vida na Terra.

É um trabalho comum pela Unidade. Isto é, lembrar que o que me nutre, nutre ao outro, e o que fere ao outro, fere a mim mesmo. É um trabalho revolucionário de cura das relações em busca de uma conexão mais autêntica com as pessoas e com todas as formas de vida. 

Para isso, é necessário o luxo de prestar atenção com mais presença e paciência. É preciso desapegar das nossas projeções para nos permitir descobrir quem somos de verdade. Reconhecer a força na vulnerabilidade. Ouvir nossas histórias com atenção suficiente, sabendo que são elas que nos trazem a paz da recordação do nosso elo comum, do nosso sonho. É necessário sair do nosso padrão para redescobrir o outro, e assim poder ressignificar o que somos juntas/o.

Quando temos coragem de desacelerar e se entregar ao momento presente, conseguimos abrir em nós um grande espaço vazio para a chegada do novo. Com isso ficamos mais disponíveis para a outra e abrimos a nossa mente para ideias mais essenciais. Essa presença e abertura faz com que as pessoas se sintam vistas, ouvidas e valorizadas. Isso requer paciência.

Requer sair do excesso da fala e da performance artificial, para ir de encontro a expressão mais natural e sincera. Sair da pressa da escuta cega e embativa, para ir de encontro a escuta empática e amorosa. A paciência requer abundância interna de disponibilidade e sintonização com nossa intuição para ela poder aumentar a conexão e a força de uma comunidade. 

Sem dúvida, aqui em meio a natureza nós temos um estilo de vida mais minimalista que nos permite diminuir a velocidade e as distrações, reciclar a nossa energia com qualidade e preencher o nosso tempo com mais significado, o que favorece a jornada rumo a um horizonte mais consciente.

Dessa forma, ao viver em comunidade conseguimos perceber como a busca individual por um estado de espírito mais paciente influencia e impacta positivamente toda a egrégora. 

Vemos que abrir espaço para o vazio e seu potencial, é abrir caminho para o futuro que sonhamos. Percebemos que sermos abundantes de atenção no lugar onde estamos é um ato revolucionário contra a escassez humana. E descobrimos que às vezes a coisa mais produtiva que podemos fazer é simplesmente respirar. 

Assim, viver em comunidade é usufruir da oportunidade de estar o tempo todo aprendendo a cultivar e sustentar a paciência que o mundo tanto necessita para os novos tempos.

Escrito por Raquel Taffari